quinta-feira, 8 de outubro de 2009

tentando calar (a fome ?)

todas essas substâncias,sólidas ou não,que se infiltram no meu corpo pra tentar juntar as peças que dentro de mim estão tão soltas,não fazem nada por mim. por mais que fique repleta de sons,dormindo ou desperta,por mais que eu coma,me alimente com tudo que possa vir a entrar dentro de mim,essa fome não passa. não existem limites em mim,nem tréguas depois de ter ultrapassado o que escolho. colhi o que plantei? escolhi as sementes erradas e terminei por semear o que? nada parece ter crescido,já que só sinto fome. já que há só esse vazio. o que há nesse mar que habita meu estômago e que agora anda inquieto,sem calmarias? mais uma vez levo algo a boca pra calar as palavras da fome,e é assim que seguem meus dias. mais uma vez eu mastigo sem prestar atenção; mais uma vez,sem perceber,a inércia me atinge e eu só continuo. mais uma vez eu aguento,eu engulo tudo e não deixo nada no prato. uma hora tudo acaba,uma hora vomito.