segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
à fome
Olha,eu entendo que você goste de aparecer e tal,mas acho que suas visitas à mim já estão sendo um tanto inoportunas. Você anda pior do que minha sogra,tenho de confessar. Devem ser amigas,suponho,pois as duas adoram me visitar sem serem convidadas e tem aquela típica mania de estar sempre quebrando algum tipo de rotina que eu tenha estabelecido. Desculpe,mas tenho de informá-la que não vou mais me submeter a seus caprichos e simplesmente aceitá-la a qualquer momento. Isso não! A senhora deixe de ser prepotente,achar que é mais especial que os outros e pode vir a qualquer hora(como quando estou no meio da rua sem um tostão no bolso para lanchar em um boteco). Tem de vir,como quem visita um doente num hospital,no horário certo. Espero que agora,por escrito e em linguagem clara,entenda bem. Ah,já ia me esquecendo... Por favor,veja se agora dê uma boa segurada e me ajude naquela direta. Aproveite e dê esse recado à sua amiga,minha sogra,não deixando que na próxima visita inesperada ela traga aquele pudim de leite. Sinceramente,péssima parceria a vocês duas.
Educadamente,Natália.
no que eu leio
corri para a cama
botei-me a ler àquilo
você passou um instante
pela porta
sem olhar para trás
sem parar
separei isto de tudo
tudo disto
passaram-se dias
você nem questionou sobre a música no disco
e olha que frequentemente
quase sem cessar
coloquei-a pra tocar
dançando junto à esperança
esperei que notasse
as notas iam e vinham
vinham e voltavam
a mesma música ia
e vinha
você já havia voltado pra casa
mas se pôs a contemplar o horizonte
a fumar e ler gibi
corri atrás
atrasei-me por vezes
mas sempre procurei compensar
me diga o título
que será o próximo volume de minha cabeceira
já tem tantos
tanto tempo que eu tento lhe falar
mostrar discretamente
que quando leio
não leio em vão
que leio àquilo
àquilo que você mesmo nem lembra mais
mas que eu lembro
um dia você comentou,sabe?!
eu quero estar por dentro
me apeguei a cada detalhe
e fui
descobri o que era àquilo
e que virou isto que tenho às mãos
não,não vá
repare nisto
que todo o resto do dia eu deixo de lado
pra renascer só naquele momento
em que você passa
pra ver se um dia cê para
para e presta atenção
no que eu leio
só pra saber o que você achou...
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
(se) ligue-se
se ligue
intimamente
mutuamente comigo
num só momento
só um respiro
piro só de pensar,
ultimamente,
em ser teu
te tomo
embebedo-me
leve
releve o que digo
só quero estar do ladinho
ir com carinho
ao ponto
(se) liga que eu falo baixinho
responde com voz de sono
interfone de janela
vou te raptar
rápido como um trovão
verás
que tudo que digo
não digo em vão
sem fim de sentimento
sei que é só assim que há controle
mas preferia descabelar-me
e fazer juras de amor eterno
mas se junto a ti
é tão distante do que espero
peço tanto pra gostar
finjo tanto pra mim que gosto
que até fácil está,de acreditar
creio eu que comece assim
e que depois de um tempo
o que eu não sinto agora
vire um sem fim de sentimento.
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
cima pra baixo e baixo pra cima
se passa
de cima pra baixo
feito chuva
passa e lava
passa e aprende
cai
mas não fica nunca no chão
sempre evapora
vai pra cima
e volta a cair
ensinar
por isso sempre têm
de se estar de boca aberta
bebendo
engolindo
num ciclo
num vício por descobrimento
numa tempestade
sem fim
auto (des)conhecimento (?)
Apesar de a sensibilidade me ultra consumir, não sei lidar bem com ela. Minto. Talvez com a minha sensibilidade, até saiba lidar um pouco. Meio aos trancos e barrancos, mas, me viro. Mas não sei lidar com a sensibilidade de outra pessoa. Essa necessidade por carinho que outro alguém tenha, me deixa confusa, constrangida... Na maior parte das vezes, digo, sempre que é possível, eu fujo de qualquer situação em que alguém esteja entrando em seu momento mais cruamente sensível, mais verdadeiro.
Acho que essa minha mania de ficar dando conselhos e repetindo frases positivas, é pra quando eu não tenho como fugir da sensibilidade do outro. Aí vou, e faço isso, pra ver se o momento acaba mais rápido e eu possa voltar a pisar num chão que conheço. Minha agonia de encarar tais momentos é tanta, que em vez de falar "eu te amo”, prefiro sempre que digam antes, e eu só tenha que responder o "eu também". Nessas coisas que envolvem sentimento, emoção, coração, eu sempre prefiro me ausentar a dar o primeiro passo. Prefiro sempre ser agarrada, a agarrar.
Para mim, a pior sensação é aquela de não se saber como agir, ou não se saber o que falar. Acho que em resposta a isso, é o fato de eu falar tanto. Não preciso falar nada sério, nada plausível, basta falar. Ficar quieta é que não agüento. Parar e olhar pros olhos de alguém em silêncio é tão difícil pra mim, quanto brigar com alguém. Mas mesmo com as brigas, eu ainda me viro melhor. Acho mais fácil gritar, do que calar e ouvir o coração.
Expor algo sobre mim é mais fácil do que expor algo sobre o que sinto em relação à alguém. Sinceramente, acho até melhor quando eu falo o que sinto por alguém e essa pessoa me despreza, ou me xinga,do que quando se emociona(já disse que não posso ver ninguém chorar,né?). Quando alguém não sente por mim, o que eu sinto por ela, é fácil, tenho só que achar que a pessoa é ridícula e que não me merece, ficar sozinha. Vezes chorando, vezes não, e depois é até bom, que eu ainda arranjo nisso, uma desculpa pra correr pro brigadeiro e correr do spinning. Mas quando é o contrário,quando gostam do que eu disse,e querem retribuir, não sei o que falo, não sei se abraço. Sei que caio numa de não saber. E como já disse de antemão, não saber pra mim, é uma agonia danada. Como se alguém com unhas grandes arranhasse um quadro negro.
Acho que isso está bem ligado a minha ansiedade, essa coisa de não conseguir esperar pelo que está por vir, e já ir adiantando tudo. Vou adiantando meus sentimentos, os sentimentos dos outros. Acabo até me dando a ousadia e a prepotência de ter a certeza do que sentem. Invento o sentimento dos outros, porque não consigo agüentar até que os sentimentos apareçam. Porque apesar dos meus conselhos maravilhosos,quando estou lá,cara a cara, olho no olho, eu quero é sair correndo pra não pensar no que o acaso pode trazer. Podem, aliás, muitos devem acreditar ser fraqueza. Sendo franca,concordo,há de ser fraqueza. E essa fraqueza, me é tão dura, que é mais forte que meu lado pensante, racional, prático. E com isso, nos momentos aonde não tem jeito, e tenho que encarar a barra, a barra do outro, toda minha emoção se esvai, eu não sei como fazer, e acabo que fico toda, toda,fria e calculista.
Pena eu ser assim só com os outros, e não conseguir usar essa frieza na hora que começo a me descabelar por um homem.
sábado, 27 de outubro de 2007
tapada
só queria ir pra frente e ver tudo
queria saber ao certo
com certeza
o que fazer eu deveria
vejo só meu lado
fato
só metade
a outra está tampada
sou tapada demais pra arrancar
o que cobre minha visão de futuro
o fruto que será resultado
agora é gerado
e nem me dou conta
vou vivendo de metade
deixando tudo de lado
pra mais tarde
sempre fui assim
mas quando pude ser de outra forma
não sabia que era hora
e deixei passar
tudo passa
e é só isso que sei
que sei bem
mas mesmo isso ainda duvido
acho que devia ter ouvido minha mãe
quem sabe ainda tem tempo?
não sei
não vejo desse jeito
mas quem vai saber
de qualquer forma
atualmente só um olho meu pode ver
sábado, 13 de outubro de 2007
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
marca da dor
uma vontade que nunca veio de mim
parece que cortaram tudo por dentro
dói tanto
que a dor virou anestesia
e mesmo a cena que eu não vi
vira agora um filme
que segue e rebubina na cabeça.
queria eu rebubinar o filme
voltar pro chuveiro
descobrir que foi um pesadelo
acordar
despertar
rezar baixinho pedindo proteção.
logo hoje que agradeci por tudo
vem o céu e cai no chão
desmorona o teto
faz frágil até o abraço de mãe.
como criar imunidade ao que dói?
se a dor tende a contaminar
mais que a alegria.
como esquecê-la e passar sorrindo o outro dia?
o que é pequeno cresce
mas leva tudo no olhar.
cada marca
cada marco.
verde
Lógico, ele nunca foi excluído de nada (pelo menos não por mim). Mas hoje me dei conta, do tanto que precisamos do verde.
As cores todas são lindas, não tem o que se discutir. Mas o verde é especial. E são tantos benefícios que essa cor traduz que ela não pode passar despercebida.
Hoje decidi ter mais esperança. E foi pensar na esperança, que eu pensei no verde. A cor que representa a esperança.
A esperança nos remete a outra coisa maravilhosa. A sorte. Não sei se por coincidência, mas a sorte, também é representada por verde.
Apesar da maioria das pessoas saber disso, dificilmente alguém pára para prestar atenção. Eu mesma, nunca prestei atenção. Mas foi um espanto quando percebi isso, e a partir desse espanto comecei a procurar atentamente o verde.
Pensando no verde, procurando-o, o que me veio a cabeça na mesma hora foi a natureza. A natureza, o início de tudo, é representada pelo verde. Decidi plantar uma árvore assim que possível. Pra poder ver o verde crescer por e em minhas mãos.
Da natureza, das plantas, lembrei-me de salada, e nos tantos benefícios que o consumo desta, trás a saúde. Veio a minha cabeça, meu pai me dizendo quando criança “Natália, comer os verdinhos faz bem”. Normal, criança em geral odeia salada. Eu, como a maioria, nem se quer me propunha a provar. Agora não. Agora, vou colocar o verde pra dentro.
Por último, não crendo que poderia encontrar mais nada, fui tomar banho. O banho sempre me serviu para fixar as novas medidas que eu invento para cumprir. Saí do chuveiro e fui me olhar no espelho, como de costume. Sempre tive dúvidas em relação à cor do meu olho. Mas dessa vez, ele estava verde. Mais verde do que nunca.
E agora, em todo canto eu quero acrescentar um verdinho. Pode parecer loucura isso tudo, mas afirmo sem pestanejar, que faz bem, faz.
sábado, 6 de outubro de 2007
nó(s)
E somem em busca de outros lábios
Acelera a respiração à boca do ouvido
E não se ouve mais, se sente...
Perde-se em sensações,
Como que no mar
E o luar banha em luz nossos corpos
Sedentos por um só,
Por um nó.
Amarrado em meu peito
Em meu laço
Em meu leito
Nos meus dedos
Num abraço
Quero cuidar e quero que cuides de mim
Acabar com tudo,
Ver você dormir...
Janelas abertas pro interior.
Deixe-me te enfeitar como quiser
Mesmo que das tuas paredes de cal eu faça ouro
Mesmo que pra demoli-las após achar teus jornais na gaveta.
Deita e pousa sobre meu ventre.
Vem devagar ser meu filho meu pai minha lente
Venha mentir pra mim,
Sinceramente.
E se perder quando entrar em mim.
Ou se perder por não entrar em mim.
(des)varrendo
Assopro o pó que me cobre
Descubro-me.
Coisa engraçada,
Estou exatamente igual!
Vasculho.
Acho uma caixa
Abro-a.
Descubro-a cheia de orgulho
Meu orgulho
Fecho-a.
Cubro-me de pó.
Cego-me.
Desaparece a caixa
Desfaço-me
Disfarço-me
Desvarro* o chão.
*acho que essa palavra não existe
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
sentimento sem pausa
em geral,me seguro.olho pra frente.fecho a cara.mas hoje não.hoje o que eu queria era sentir,sentar perto de quem me quer bem.queria contar tudo pra você.não sei por que,mas me parece o dia certo.parece que o dia hoje foi como foi,só pra ter acontecido isso.não fosse a saudade e a vontade de voltar e refazer,ou fazer como temos feito agora,todo o passado.mas nem quero pensar nisso mais.nisso,no que se passou.porque eu vejo hoje,que tudo agora é bem maior.antes não sabia o que fazer. quando não sei o que fazer,me afasto. já fui pra longe de muita coisa.quando colocam-me em dúvida,fujo pelo escanteio,escondo-me no canto.e às vezes canto pra tristeza não me pegar.engraçado,começo a falar uma coisa,perco o rumo e vai virando poesia.isso quando eu já havia falado que não seria poesia.parecem minhas rezas.rezo quase toda noite.peço coisas boas pra deus.eu não sei se é em vão,se ele vem me ouvir.mas quando peço,fico melhor.nunca terminei uma reza sem sair do caminho.assim,vamos colocar a reza como um caminho.e os outros pensamentos,são os desvios.nunca acabei uma reza sem me desviar.se deus for como penso,é bonzinho demais e entende.mas voltando ao início.que na verdade não é início.pois eu mesma não tenho idéia de quando entrei pra essa coisa de pensar.o início é longe demais da onde cheguei (em questão de pensamento) por agora. vou voltar ao primeiro assunto.àquele que me levou a escrever.dessa vez que escrevo é diferente.estou parando tão pouco pra analizar o que digito,que isso é mais sentimento que tudo.é mais impulso do que beijar um desconhecido.em relação ao primeiro assunto,o jeito que está tudo hoje,é bom.é um jeito que nos faz bem,e não cabe nunca olhar pro passado.cabe olhar nos olhos e entender.bom,voltando pra este assunto,que não é um segundo assunto,mas que eu separo como sendo um,porque penso em coisas diferentes.mas não é um outro assunto.não,não.mesmo porque,dentro de mim é tudo tão interligado,que é difícil separar as coisas.eu sou um espelho de mim mesma.o que está dentro,vai pra fora.de um jeito ou de outro.eu posso esconder até.e muitas vezes escondo.normal.mas não consigo esconder de mim.não consigo me reinventar feliz.achei que podia,mas estaria sendo hipócrita comigo mesma,com meu próprio sentimento.e não,não tem nada pior.mas como eu mudo fácil,nem é de se estranhar,que eu ria,logo após de chorar.e queira abraçar aquilo que me desapontou. sentimento,pensamento,não pausa.não tem vírgula,nem parágrafo ou travessão,mas dedo,o nosso querido "pau mandado" dedo,para na hora que quisermos.ou,por uma fatalidade,não(mas isso é outra história).já que em meus dedos,ainda tenho a sorte de mandar,eu paro por aqui.mas sem parar de pensar.ponto.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
e você passa
e batom nos lábios
para te esperar
deitada com os pés na cama
cabeça na lua
toda a te sonhar
faz tempo que eu (não) sinto isso
e como que fica para te falar?
e você passa todo confiante
todo ignorante
todo elegante a me evitar
e eu te sorrio
eu assobio
grito
ponho-me a cantar
e você passa
e passa todo dia
e nunca que um dia
para admirar
(essa poesia foi só pra passar o tempo)
sábado, 15 de setembro de 2007
mudar
mas como,sem saber onde ir...
mudar de estação.
de estado.
mudo brincando,frequentemente.
diariamente.
mas tudo é tão pequeno
que não mudo nada.
fico muda
diante dos impulsos que meu corpo clama.
não mudo nada.
finjo pra mim mesma,
tento enganar-me.
descubro,envergonhada.
mas não mudo nada.
thinking
Estou apaixonado.Quero gritar ao céu isso tudo que borbulha dentro de mim.Mas não vou fazê-lo.Essa é a divisão de águas que reside em mim.Ela que me delimita,ela que me faz querer uma coisa e,ter de faz fazer o contrário pra sair bem na fita de quem me vê por fora.Dói tanto em mim não dizer tudo.Mas sabendo como as coisas são,falar tudo,dói sempre mais.
sábado, 1 de setembro de 2007
carta para Olívia
Olívia,te prometi uma carta uma vez,e cá estou.Cumprindo minha palavra.Sei que já passou tempo demais,e que esta carta não está chegando na hora que você gostaria.Mas mesmo que atrasada há anos,espero que deixe de lado a última vez que nos encontramos e que aceite-a,nem que para jogá-la fora,ou rasgá-la assim que ler o remetente no envelope.
Quando disse certa vez,no começo,que gostaria de uma carta eu não pude escreve-la.Bem,comecei várias vezes,mas não sabia o que pôr no papel.Também porque as coisas eram recentes pra que eu me expusesse tanto a alguém que por vezes ainda era capaz de estranhar.
Mais de uma vez,disse a você que tinha a sinceridade como uma de minhas maiores virtudes.E você dizia o mesmo ao seu respeito.Bem ou mal,nunca acreditei.Achava que estava sempre brincando de amores e brincando de me amar,quando olhava nos meus olhos e dizia,Amo você.
No seu primeiro "amo você",eu disse que responderia que amava você quando isso se tornasse recíproco.Você,do jeito que é,nunca ligou,nem me cobrou.Apesar de continuar falando incansavelmente,nas horas mais inoportunas que me amava.
Infelizmente,com todo meu orgulho e egocentrismo,só pude constatar e aceitar esse amor agora.
Seria prepotência demais de minha parte pensar que com essa simples carta,atrasada dois anos,você voltaria para mim.Por isso deixo claro,que apesar de meu maior desejo seja tê-la em meus braços novamente,este não é o intuito principal desta carta.
Para dizer a verdade,nem sei porque estou escrevendo-a.Mas hoje acordei ao avesso.Trocando os pés pelas mãos,depois de sonhar com você toda a noite.Deixei meu corpo me levar,e descobri que meu corpo,só me levava a você.
Queria que ficasse claro:na última vez que nos vimos eu não estava em mim.
Lembra,uma vez você me disse que dentro de nós moram várias pessoas diferentes,e que são essas pessoas as responsáveis por nossas trocas de humor,nossas mudanças...Pois então,quando você dizia isso eu ria da sua cara.Não falava,mas achava que você era louca.Mas depois de refletir,concordo com você em gênero,número e grau.
Eu era outro aquele dia.E sabe,eu que permaneci constante e organizadinho,como você mesma me caracterizava,durante toda a vida,mudei.
Ainda não pintei o cabelo de verde limão como você gostaria que eu tivesse pintado na Copa,dizendo pra me convencer:"Ah,mas vai ficar show,xuxu!Combina tanto com os teus olhos.Pinta vai,pinta pelo Brasil.Ou pinta por mim,tanto faz..."
Mas parei com a musculação que você tanto odiava por julgar coisa de velho e de gente chata.Estou tendo aulas de circo.Imagina,eu que sorria tão pouco,sempre preocupado com o trabalho,fazendo circo.
Bem que você dizia que o trapézio era uma terapia.
A primeira vez que te vi,me impressionou muito seu caminhar independente e seus olhos nostálgicos.Diria que nem era deste século,não fosse pelo cabelo rosa-choque e o piercing na língua.Engraçado,apesar de ter achado-a uma completa poluição visual.Referindo-me à suas roupas chamativas e com estampas diferentes,desde o primeiro momento que me olhou,foi como se um vento fortíssimo entrasse sem pedir licença.Um vento que me fez sentir tanta paz,que mesmo com a arrogância que me tratou quando fui aborda-la,te achei tão linda,que pela primeira vez em minha vida,não hesitei em insistir com alguém.
Você foi o melhor impulso que já me ocorreu.E ainda que esta carta seja pouco.Seja apenas um pedaço do que eu sinto,é o que me convém fazer agora.
Hoje,mais que todos os outros dias,desde aquele em que eu era outro,estou desesperado por de você.Porque era só você que me acompanhava em tudo no sonho desta noite.Era você,toda você,mas com a cara de outras mulheres.Nunca a sua.
Saí louco procurando pelo apartamento alguma foto,alguma coisa que ao menos me fizesse lembrar seu rosto.Pois não sei como me recordo de todos os detalhes,das unhas quadradas do pé aos cabelos cacheados,e não lembro do rosto.
Sei ter olhado para seus olhos e os achado nostálgicos à primeira vez que à vi,mas se procuro esses olhos para recordar-me,não os acho.
Incrivelmente,a única coisa que encontrei no apartamento,foi aquele seu CD da Adriana,pus-me a ouvi-lo atentamente.E atribuí a falta de seu rosto em minhas memórias àquele trecho "vem vambora,que o que você demora é o que o tempo leva".
Com carinho,seu velho Miguel.
domingo, 26 de agosto de 2007
o mais chato da vida
O mais chato da vida,é crescer.No começo você até acha interessante,mas depois,te garanto: é um saco.
Quisera eu voltar a ser criança,e ter como única preocupação parar a brincadeira e entrar em baixo do chuveiro às oito,pra depois lanchar e dormir.
Ralar o joelho aprendendo a andar de bicicleta,ralar o queixo,ralar tudo.chorar,ganhar colo,doce,e depois sair correndo pra ralar mais.
Essa coisa de ser criança,foi a melhor coisa que já inventaram.trocar a sobremesa pelo almoço,brincar a tarde toda de boneca...cortar o cabelo e ficar careca,sem nem ligar.
Criança tem sempre tanto amigo,e todo mundo brinca junto,e briga junto e corre,sobe em árvore e cai.
Cai,pula a cerca,pula corda,acorda,dorme e quer sempre mais.
Criança nem quer saber do dia seguinte.Nem quer pensar se o mar vai ter tubarão.Criança vai fundo.
São espontâneas e impulsivas.
Engraçado,isso que elas tem,essa verdade,é exatamente o que o anos vão fazendo ir embora.os adultos aprendem a guardar segredos,a fazer mistérios,a mentir.
Criança fala o que sente,espalha o segredo pro mundo,sorri.
Sinceramente,não sei quais são os benefícios que a idade trás.Quanto mais a gente cresce,mais tem medo.Tem conta pra pagar.
Quanto mais a gente cresce,mais critica o outro,mais mente,mais esconde tudo.
Criança só esconde alguma coisa,quando brinca de esconde-esconde.E nunca vi,choro mais bonito,que o choro de uma criança.
Criança não é igual adulto que chora quando não deu certo o que queria.Se o que a criança queria não deu certo,ela inventa outra coisa pra dar certo e já quer essa coisa também.
Criança chora e passa pra frente,muda a brincadeira,faz as pazes com o amigo...mesmo que esse já tenha batido nela.
Criança não tem aquela ambição de querer o mundo,querer tudo.Ela acha mundos.Um em cada lugar.Mesmo que estes lugares sejam os mais simples.Como de baixo da árvore,em cima da árvore,de baixo da chuva,em cima do prédio.
Pra criança,todo lugar,é um lugar ótimo.e especial por si só.Só por ser um lugar diferente.
Sinceramente,quero voltar a ser criança.
Não ter de me preocupar se engordei porque comi bolo demais,nem ter que pensar em estudar pra virar nada.Quero ter meus amigos pertinho.Tão pertinho que possa falar pelo interfone.
Quero comer brigadeiro quente,sem pensar duas vezes,e queimar a língua.Quero dançar freneticamente,quero gritar pra todo mundo ouvir.Quero chorar e abraçar minha mãe pra dormir.Arrancar dente e fazer competição.quero meu pai subindo na árvore comigo e andar de cavalinho.Cantar "vovô é tãn tãn" e receber cosquinha.
Quero muita cosquinha,quero rir.Não sentir vergonha de nada.
Acho que os adultos tem filhos,pra poderem voltar um pouco à infância.
Pra poderem justificar aos amigos porque estão vendo desenho animado ao invés de saberem as notícias do dia no jornal.
domingo, 19 de agosto de 2007
corre
O mundo corre
E eu corro atrás
Pr’ele não me esquecer.
A tarde cai
E a noite corre pra não atrasar.
Corre tão rápido tudo
Que se curto,
É pouco coisa.
Pouco tempo
Tempo curto.
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
carta ao corpo
Brasília,XX de XXXXXXXX de 2007
A tempo venho querendo reclamar-lhe da sua imensa falta de capacidade de seguir minhas dietas malucas.Afinal,para uma mulher do século XXI que vive a andar pelas ruas desta cidade,não me resta tempo para seguir dietas saudáveis.E você bem sabe que até mesmo quando eu tento começar um período saudável,este não estende-se por mais de 4 dias.Tudo por sua culpa.Que me dá na boca uma enorme quantidade de saliva,misturada com um desejo louco que parece não vir de mim,pra que eu morra,ou mate,por um doce.
Saindo da dieta.
Ainda estaria tudo certo se eu comesse e depois sacrificasse duramente minha silhueta(atualmente acima do peso)em duas horas no mínimo de musculação diária.Mas até pra isso você faz corpo mole,ou duro,e não me deixa sair da cama.
Bom,cansei de me queixar da minha parte externa,porque infelizmente,essa ainda não é a pior.
Já que tudo o que sinto é produzido pelo meu “criativíssimo” cérebro,então quero que a partir de hoje,ele comece a me obedecer.E pare urgentemente,depois de eu já ter estragado meu celular chorando com músicas dor-de-cotovelo pelos acontecimentos do passado,com essa estúpida parceria com meu coração.Agora,eu decido o que sinto.
E ah,essa coisa de tato e paladar e toda essa tal de química também vai acabar.Eu sinto o que quiser,por quem quiser,e do jeito que quiser.
Minha ultima objeção é a seguinte:nunca se contenha!
Mesmo que pra isso eu fique cheia de furos de piercings,tatuagens de compassos,cabelos raspados,unhas roídas,ressacas enormes,chifres compridos,gritos de doer os ouvidos,brigas feias,amores brutos,risos altos,tênis sujos,noites viradas,tapas na cara,corpo dolorido,cabelos sem lavar,excursões perigosas e queimaduras de segundo grau.
Atenciosamente,Natália,algo como seu "eu-interior"
impossível
foi só a constatação
do que estava bem a frente.
se existe culpado
são os fatos.
as condições,
o sonhar alto...
que afundaram os barquinhos de papel
que iam longe...
faziam tudo ficar baixinho,
tudo ficar à mão.
agora,de que adianta o amanhã?
amanhã só é continuação de hoje.
que é continuação de ontem
que nunca vai mudar.
pra que navegar no impossível?
se até no possível tá difícil
de se chegar.
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
barco
parte o barco.
navega em outros mares.
afunda-se em alguns
de tão pequeno
que fica dentro daquela imensidão.
e tem velas tão frágeis...
mas tão confiantes,
que confiando nos ventos
muitas vezes bate.
perde a direção.
sempre continua,
por pior que esteja.
conheceu um mar
cheio de estrelas.
mas não sabia se eram do mar
ou só ilusão.
na dúvida,na entrega,
veio a onda.
rodou o barquinho ao avesso.
some-se leme,
âncora,
vela,
toda a embarcação.
pro fundo.
onde nunca mais achou-se nada,
nem o mar,
que foi embora com o vento.
este,que assoprou tudo
deixando sozinho,
o barco aos barrancos.
infinito
ver as luzes,os raios
que não param de ofuscar meus olhos.
nos sonhos.
quero sonhar que o mundo
é pequeno,
chaveiro.
que eu giro,e cabe
sempre na minha mão.
vou andar sobre as águas.
mergulhar no fundo,
ir pro centro
pra dentro
buscar explicação.
depois voar longe
até tocar o céu,
sair do céu,
sair de tudo.
quero fugir pro espaço
abraçar a lua
virar estrela.
quero brilhar!
aqui,ali,acolá
mas longe do infinito.
quero limitar-me
ter um fim.
o infinito parece muito só.
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
utopia do amor infinito
Pensar que alguma coisa pode durar pra sempre,é uma utopia.
A vida,já sabemos desde cedo,que acaba.E essa,é também a coisa mais concreta que sabemos sobre ela.
O amor,é a única coisa que achamos poder durar infinitamente.Porém,atualmente,descordo completamente com isso.
Queremos,e temos a necessidade de acreditar que o amor não vai acabar nunca.Chegamos a ponto de prometer a quem amamos um amor eterno.O que acontece,é que em geral,as pessoas acabam não cumprindo essa promessa.
Em qualquer coisa que ocorre,já colocam logo a desculpa,e dizem que é por isso que não te amam mais.A verdade não é isso,a verdade é que ninguém consegue segurar um amor por muito tempo.E para não se sentirem culpados por esse sentimento,ou melhor,pela falta deste,acabam colocando a culpa em qualquer acontecimento.
Juro que odiei ter de me acostumar a esta nova realidade dos amores finitos que apareceu diante de mim por agora.
Mas isso é bom para que relembre aquilo que Renato Russo já havia falado,"é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã",e finalmente coloque em prática.
Amando intensamente,por mais que sofra dos mesmos efeitos causados pelo cólera,que como alega Gabriel García Marquéz,são os mesmos do amor.
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
faz de conta
vou nascer de novo.
Que quando respirar fumaça
O olho arder,
Vai tudo passar um pouco.
Faz de conta que quando eu chorar
Não vai ser em vão.
E que quando amar
Vai ser criança.
Faz de conta que sabe dançar
E roda comigo
Feito roda-gigante...
Faz de conta que é grande
E me abraça amiúde.
Mas cai no colo de vez em quando
Como quem não sabe tudo.
Me conta tudo,desvenda o mundo
E mostra só pra mim.
Faz de conta que hoje a lua é minha
E que quer cantar pra ela.
Parte minha faz de conta
Que tudo é brincadeira
Rouba bala,acorda cedo
Sobe alto na mangueira.
Mas a outra parte é invenção,mentira,
Faz de conta.
P(ARTE) MINHA
A OUTRA REPARTE
COM OS POUCOS QUE TÊM
TODO O MUNDO QUE VÊ,
QUE COLHE
NO OLHAR.
CASO AS CORES
CUBRO O ROSTO DE SORRISO
E PINTO
O INFINITO.
AMAR NO MAR
É CHEGAR PERTO
DO INÍCIO,
QUE COMEÇA DE MANHÃ
COM RAIO AMARELO
E CAFÉ PRETO.
MISTURO CÉU E CHÃO
SALPICO TERRA COMO SAL.
SAIO DE DENTRO
VÔO PRA LONGE
E DESÇO,
PRA PINTAR NO PAPEL.
PAPEL DE CARTA
CORTO LOGO,
REPARTO
PARTO LOGO
PARA A ARTE
PARA PARTE MINHA.
terça-feira, 7 de agosto de 2007
a flor da pele
é sempre meio estranha essa coisa de se estar sensível.claro,estranho quando não se é assim naturalmente.
quem já nasce chorando e chora pelo resto da vida a qualquer manifestação,ou até por qualquer falta dela,já está acostumado a essa sensibilidade.
mas alguém,que até então,só passava por isso em caso de perda,final de relacionamento,TPM e mais alguns momentos em que qualquer pessoa querendo ou não,solta as rédeas,involuntariamente,e todos seus atos,são conseqüências da emoção,se assusta quando se vê dominado pela emoção a toda hora.
emoção pulsando nas veias,enchendo os olhos de lágrimas,o silêncio de risos,e denunciando a quem olhar,tudo o que está se passando com você.
é um susto tão grande,que chega a arrepiar.e quando você se vê ficando arrepiado por qualquer besteira,sem ser frio,aí você vê que o buraco é mais em baixo.que não adianta mais correr.ela já está dentro de você pra mudar tudo.
não adianta mais passar correndo,você vai ter a necessidade de captar todos os pequenos momentos,pequenos detalhes.
claro,não é só captar e pronto.você vai reagir a tudo,sentir cada segundo.
sabe,nem sei pra que dei tantas explicações para um estado que Zeca já explicou em uma frase faz tempo:"ando tão a flor da pele,que qualquer beijo de novela me faz chorar".
espelho
dá nojo
prefiro fechar os olhos
virar as costas
e rir
ah,como eu rio naturalmente
do teu sorriso forçado
seu olhar que só diz mentiras
me engana
engana você se pensa que caio
estou por cima
estou no céu
até quando o céu é baixo
baixo os olhos
olho fundo
choro copiosamente
vendo você
me vendo
é sempre mais fácil achar nossos defeitos nos outros.por isso que quando nos criticamos,em geral,estamos em frente ao espelho.
sábado, 21 de julho de 2007
hoje.
hoje eu faço o amanhã.
deixar o cabelo crescer
estudar,
deixar o amor crescer
confiar,
amanhecer.
sonhos e resultados.
buscas e encontros.
pensamentos e realização.
tudo amanhã.
começa hoje.
hoje é tudo.
segunda-feira, 16 de julho de 2007
ando com tudo
com graça
com flor.
mais nada.
ando voando por aí
olhando ao meu redor
fitando o umbigo meu.
sem nada.
sumi.
do mesmo modo que tudo apareceu.
do nada.
com tudo.
contudo,continuo nada.
paradoxo.
paro tudo.
tomo um gole de esquecimento
paro de pensar,
para não pesar,
ando...
sem nada na cabeça.
quarta-feira, 4 de julho de 2007
ambiente
camuflado no ar,levado pelo vento.
sou toda essa canção.
e àquela outra é a que sigo,que imito.
creio em tudo,com medo de duvidar
e ser provado o contrário.
o problema é como...
como contar,
como cantar.
eu como.
mas tem gente que morre pq não come.
começo,
aliás,prossigo a perguntar se faz sentido.
se sentem,se sinto.
minto,sempre.
penso,muito.
flor nasce,morre,dá fruto.
meu futuro nem sei,
mas não vamos viver em busca dele.
ele que nos acha,
rio que encontra o mar,
cachoeira que desaba.
presente.
bem embrulhado,
surpresa gostosa.
gosto de brigadeiro de panela,
bentevi,sabiá,andorinha e quero-quero.
quero sempre mais.
mais em frente,vai.
sem medo do final do túnel
sou todo essa ambiente
posso ser vazio,escuro,seguro.
se quiser...
quero o todo.
tenho tudo.
podes não acreditar,
mas no meu mundo
você respira,come e cospe,eu.
impregnado,
sou perfume
espalhado pelo ar.
podes não acreditar,
mas sou todo esse ambiente.
muito frio,muito morno,
muito torto,muito coxo,
muito louco,mixto quente,
muito quente,muito quente.
segunda-feira, 2 de julho de 2007
corpo
Não,ninguém nunca me viu pelada.
dois segundos
A barba mal-feita roçando no queixo.
Caio facilmente em ilusões
E cada dia me levanto,
Mais enrolada.
Não é difícil constatar,
Quando me toca,
Sangue corre veia adentro.
Inunda cada parte minha...
Musicando gesto meu,
Incendiando a pele.
Peco do tanto que gosto.
Do tanto que quero que continue a tocar.
Tem em suas mãos as minhas,
Mata logo essa angústia de te esperar.
Prove pra mim...
Nua em pêlo.
Que pelos cantos,
Pelo centro,
Pelo meio
Por inteiro...
Sou por dois segundos única.
Por dois segundos sua.
Que em dois segundos não vai acabar.
