Hoje acordei me sentindo um passarinho. Não no sentido frágil da figura, pelo contrário, acordei me sentindo um passarinho que já estava muito grande em um ninho muito apertado. Quase caindo desse ninho e me sentindo péssima por não caber mais neste lugar, comecei a reparar em mim. Nesse tempo em que vivi nesse ninho, minhas asas foram crescendo junto comigo. Assim como o resto do meu corpo, elas também ficaram mais fortes.
Sair de um ninho nunca é fácil, mas como tudo na vida é ciclo, este é mais um que deve ser atravessado. Nós sempre precisamos colocar um ponto final em algumas coisas para que outras, também muito boas, também cheias de complicações, possam vir e nos ensinar mais um pouco.
Sair de um ninho também não deve ser confundido com uma perda, ou algo doloroso. Não é porque você está indo que o lugar onde estava não era bom o suficiente, ele só não te cabia mais. Dói esse sentimento de partida e por isso ela, a partida, deve ser feita com cuidado. Como o primeiro voo.
Muitos vão questionar o porque daquela ida, do encerramento daquela fase. A verdade é que não existe um motivo certo, mas você provavelmente vai sentir quando tiver que ir. Também não busque muitas explicações, aceite como o que é, algo novo, uma surpresa que a vida te deu, na hora que tinha que dar.
Como passarinho, já quis voar muitas vezes e muitas vezes achei que o tinha feito, mas agora percebo que tudo foi uma construção. Com pequenos voos fui me preparando para agora fazer um voo maior, com um risco maior e com asas mais fortes. Hoje tenho certeza que está chegando a hora de voar, mas assim como me cuidaram muito bem dentro deste ninho em que fui crescendo até hoje, também vejo que tenho que ir com calma.
A verdade é que nunca estamos completos, totalmente prontos pra ir, às vezes as asas, mesmo maiores, ainda vão ter alguns pontos delicados que irão se fortificando com o tempo, mas depois que nos determinamos a partir, é só ir se levantando devagarinho, comprando geladeira, estocando comida, distribuindo abraços, chacoalhando as penas e abrindo os braços pra se jogar no ar, no mundo.
Vai dar aquele frio na barriga no começo, a insegurança, o medo de cair... até que você vai se ver voando, sozinho...
"Que meu voo seja tranquilo"
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
old stuff
The city is sleeping
With close windows
But I'm open
Expecting some light
I've been waiting FOR you
At my dark room
To spread your bright
Here are the keys
It's just get in
SO Deep in my mind
You stole the lights from THIS town
But where are you now
To illuminate the night?
Where are you now
To illuminate my heart?
Aí foi uma coisa louca
Cabelo, areia, boca.
Tudo junto...
E olhos...
Ah, os olhos mais loucos que vi.
Queria entrar neles
Nadar neles
O que seria você sem esses olhos?
Essas mãos por todos os lados
Me pondo do avesso
E tudo se atravessando
São meio portais esses seus olhos
E agora que passei não sei onde estou
E será que dentro deles eu chego em você?
Ou entrei pra outro labirinto?
Me puxe por uma corda
Me mostrando o caminho
Ou me amarre de vez,
juntinho.
Quero a mistura...
Os olhos, as mãos, o agarro todo.
O desespero e a calma do que pode vir.
E que venha!
Cabelo, areia, boca.
Tudo junto...
E olhos...
Ah, os olhos mais loucos que vi.
Queria entrar neles
Nadar neles
O que seria você sem esses olhos?
Essas mãos por todos os lados
Me pondo do avesso
E tudo se atravessando
São meio portais esses seus olhos
E agora que passei não sei onde estou
E será que dentro deles eu chego em você?
Ou entrei pra outro labirinto?
Me puxe por uma corda
Me mostrando o caminho
Ou me amarre de vez,
juntinho.
Quero a mistura...
Os olhos, as mãos, o agarro todo.
O desespero e a calma do que pode vir.
E que venha!
É difícil quebrar o pseudo-equilíbrio que tinha inventado pra mim, que funcionava até então.
The thing is, você chegou numa noite bagunçada, eu já tava lá, tomando todas esperando por nada além dum barato. Mas aí eu te vi assim, meio depressa. E nossos olhares já se invadiram naquele instante, estranhamente.
Te vi de novo e aí foi a perdição. A lua se foi, o dia nasceu e estávamos ali, hipnotizados.
As pessoas falam dos meus olhos, mas acho que nunca vi olhos como os seus. Eu ficava louca querendo olhar mais, e foi nessa brincadeira de olhar que me perdi. Acho inclusive que ainda estou aí dentro, dos teus olhos. Abrindo prateleiras, procurando dentro dos armários, de baixo da cama... Tentando entender o que está me deixando tão presa à você.
Seus olhos me lembram segredo. E isso parece muito clichê, mas não sei outro jeito ou outra palavra pra explicar... Também acho que está na hora de abraçar uns clichês, porque o que é a vida se não uma repetição de acontecimentos em lugares diferentes?
Depois dos olhos veio outra coisa, o corpo. Não se pode fazer pouco caso do corpo, porque ele fala. O corpo grita e tem voz própria. Não sei de muita coisa, mas sei que o nosso criou uma língua nova e se entendeu, se abraçou profundamente. Desde aí não consegui mais raciocinar como antes. Estou louca procurando por você.
Mas todos me falam to let it be... E eu não sei se criei uma ilusão, outra ilusão na minha cabeça, que vale a pena ir, ou se realmente devo valorizar tão pouco seus olhos, os corpos e as vozes que escuto.
Nunca sabemos até onde ir, no geral quem está por fora, sempre quer que você não vire a esquina, fique só até onde os olhos podem ver. Mas tem algo incrível que está me puxando pra escuridão, ela me instiga.
Se tudo é uma surpresa e por enquanto não sei se você é algo maravilhoso ou não, o que custa acreditar que sim? Se todo mundo quer apostar alguma ficha, porque eu não poderia apostar todas as minhas acreditando que vou ganhar?
Faz tempo que fujo dos olhos, mas já que nesses me encontro absorta, acho que posso também voltar a apostar.
Então é isso, minhas fichas estão na mesa, junto com meu coração. Como um bom apostador só acredito no seguinte: Dessa vez eu vou ganhar!
The thing is, você chegou numa noite bagunçada, eu já tava lá, tomando todas esperando por nada além dum barato. Mas aí eu te vi assim, meio depressa. E nossos olhares já se invadiram naquele instante, estranhamente.
Te vi de novo e aí foi a perdição. A lua se foi, o dia nasceu e estávamos ali, hipnotizados.
As pessoas falam dos meus olhos, mas acho que nunca vi olhos como os seus. Eu ficava louca querendo olhar mais, e foi nessa brincadeira de olhar que me perdi. Acho inclusive que ainda estou aí dentro, dos teus olhos. Abrindo prateleiras, procurando dentro dos armários, de baixo da cama... Tentando entender o que está me deixando tão presa à você.
Seus olhos me lembram segredo. E isso parece muito clichê, mas não sei outro jeito ou outra palavra pra explicar... Também acho que está na hora de abraçar uns clichês, porque o que é a vida se não uma repetição de acontecimentos em lugares diferentes?
Depois dos olhos veio outra coisa, o corpo. Não se pode fazer pouco caso do corpo, porque ele fala. O corpo grita e tem voz própria. Não sei de muita coisa, mas sei que o nosso criou uma língua nova e se entendeu, se abraçou profundamente. Desde aí não consegui mais raciocinar como antes. Estou louca procurando por você.
Mas todos me falam to let it be... E eu não sei se criei uma ilusão, outra ilusão na minha cabeça, que vale a pena ir, ou se realmente devo valorizar tão pouco seus olhos, os corpos e as vozes que escuto.
Nunca sabemos até onde ir, no geral quem está por fora, sempre quer que você não vire a esquina, fique só até onde os olhos podem ver. Mas tem algo incrível que está me puxando pra escuridão, ela me instiga.
Se tudo é uma surpresa e por enquanto não sei se você é algo maravilhoso ou não, o que custa acreditar que sim? Se todo mundo quer apostar alguma ficha, porque eu não poderia apostar todas as minhas acreditando que vou ganhar?
Faz tempo que fujo dos olhos, mas já que nesses me encontro absorta, acho que posso também voltar a apostar.
Então é isso, minhas fichas estão na mesa, junto com meu coração. Como um bom apostador só acredito no seguinte: Dessa vez eu vou ganhar!
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
right is wrong, or boring
It's just, so predictable... All of her perfection and calm, this capacity of keep the controll and never get out of the line.
All of that stuff are so wrong.
(Why you have to stay on grass to feel safe? In fact, why you want something so sure when you can have all the amplitude of the sky?
You're afraid to fall, and that's why you're holding her hand instead of flying with me.)
But most of all, it's unfair.
All of that stuff are so wrong.
(Why you have to stay on grass to feel safe? In fact, why you want something so sure when you can have all the amplitude of the sky?
You're afraid to fall, and that's why you're holding her hand instead of flying with me.)
But most of all, it's unfair.
Dos "que's"
Da vontade de ir. Das ligações impulsivas na madrugada. Do que nunca será seu, mas que você briga mesmo assim. Da inconsequencia e incapacidade de permanecer na linha. Do cara difícil.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Foi uma noite fria...
O céu se encontrava num tom avermelhado
E mais uma vez eu estava lá,
perto.
Você é perto,
independe do lugar.
E não queria falar em amor à essas horas,
mas depois de tanta demora,
não me cabe mais ficar calada.
Nós nunca seremos...
Mas sempre estaremos assim,
viveremos assim,
de momentos.
De horas chuvosas.
Eu sei que você vai escorregar,
mil vezes ou até mais...
Mas estarei aqui,
hoje,
e na manhã seguinte.
Sei que sou de partir,
Mas quando aparece esse encontro,
não importa nada mais...
Nada que não for eu e você,
a noite fria,
ou um outro amanhecer de dia.
O céu se encontrava num tom avermelhado
E mais uma vez eu estava lá,
perto.
Você é perto,
independe do lugar.
E não queria falar em amor à essas horas,
mas depois de tanta demora,
não me cabe mais ficar calada.
Nós nunca seremos...
Mas sempre estaremos assim,
viveremos assim,
de momentos.
De horas chuvosas.
Eu sei que você vai escorregar,
mil vezes ou até mais...
Mas estarei aqui,
hoje,
e na manhã seguinte.
Sei que sou de partir,
Mas quando aparece esse encontro,
não importa nada mais...
Nada que não for eu e você,
a noite fria,
ou um outro amanhecer de dia.
Como parar de amar?
Ok, estou meio bêbada, mas não deixo essa pergunta fugir da minha cabeça. Como, mesmo depois de tanto tempo e tantos desencontros, você para de amar?
Já tentei de tudo.... parar de ligar, de falar, seguir com a vida e até mudar de estado... Mas como, mesmo assim, você consegue, parecer tão certo?
Não sei se tem a ver com a psicologia, astrologia, ou minha teimosia de insistir em estar. Estar.
Eu queria estar, desde o começo, não passar, nem dar um beijo correndo. Queria estar com você mesmo nessa incerteza, mesmo nessa chance pro fracasso total e probabilidade pra tristeza.
Qualquer noite...
Ok, estou meio bêbada, mas não deixo essa pergunta fugir da minha cabeça. Como, mesmo depois de tanto tempo e tantos desencontros, você para de amar?
Já tentei de tudo.... parar de ligar, de falar, seguir com a vida e até mudar de estado... Mas como, mesmo assim, você consegue, parecer tão certo?
Não sei se tem a ver com a psicologia, astrologia, ou minha teimosia de insistir em estar. Estar.
Eu queria estar, desde o começo, não passar, nem dar um beijo correndo. Queria estar com você mesmo nessa incerteza, mesmo nessa chance pro fracasso total e probabilidade pra tristeza.
Qualquer noite...
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
A verdade é que passarão anos, e vários desencontros...
Mas um dia ainda voltaremos a soltar pipas juntos e conversar durante horas. Um dia talvez, o que já foi complicado fique simples e toda essa vida faça sentido. Não há como explicar algo que até pra nós, só agora foi dito claramente, mas a gente sente, e sempre sentiu. Mesmo inibidos pelo medo e pelo tempo, agindo contra nós, chegamos aqui e agora não tem mais como voltar atrás.
É momento de replanejamento, de mudar as peças do lugar e apostar no sucesso, mesmo que esse não seja talvez o que sonhamos, é agora o que nos cabe.
E cá entre nós, o negócio é não desamarrar o nó, por mais complicado que ele seja.
l'll be around the morning after. (Ela disse, antes de sair correndo)
Mas um dia ainda voltaremos a soltar pipas juntos e conversar durante horas. Um dia talvez, o que já foi complicado fique simples e toda essa vida faça sentido. Não há como explicar algo que até pra nós, só agora foi dito claramente, mas a gente sente, e sempre sentiu. Mesmo inibidos pelo medo e pelo tempo, agindo contra nós, chegamos aqui e agora não tem mais como voltar atrás.
É momento de replanejamento, de mudar as peças do lugar e apostar no sucesso, mesmo que esse não seja talvez o que sonhamos, é agora o que nos cabe.
E cá entre nós, o negócio é não desamarrar o nó, por mais complicado que ele seja.
l'll be around the morning after. (Ela disse, antes de sair correndo)
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
doença
Será que isso passa? Ou é uma doença que contraí na infância e vem me acompanhando até hoje?
Lembro que desde pequena sonhava muito, e alto. Sonhei em voar e inventei um balão feito de cesta de jornal e vários balões de festa de aniversário (aqueles maiores de todos que enchem de doces e estouram no final) enchidos com gás hélio. Na frente do meu prédio tinha essa árvore muito alta, e eu me imaginava voando dentro do meu balão do lado dela, pra ter onde amarrar a cesta, caso fosse ficando muito alto.
Eu nunca coloquei em prática meu projeto de balão, mas acho que desde aí contraí esse vírus da curiosidade. Desde então, sempre quis saber o que estava do outro lado da esquina, atrás da moita, de baixo d'água e por cima das nuvens. E tenho passado toda uma vida, a procurar. Estou sempre atrás de algo novo que me tire de órbita e me leve pra onde for.
Levei isso tão a sério que meus amores são como passarinhos e eu estou sempre segurando uma asa e indo atrás de uma nova viagem, de uma nova vida. Não minto, é difícil ter nascido várias vezes no mesmo corpo, mas por outro lado, tenho um prazer enorme em não ter rumo certo.
Minha casa é o mundo, e nele eu visito todas as esquinas que quiser, e abro buracos no chão se precisar afundar, e crio rampas se precisar olhar estrelas.
Para mim não é suficiente segurar um balão, eu ainda tenho essa paixão infantil pelas coisas, eu quero um balão pra voar. Quero passar por tempestades e testar se um raio pode ou não cair na cabeça duas vezes.
Estou aberta para tudo e por isso minha doença é grave. Mas ainda assim, é só ela que me mantém viva, aos trancos e barrancos, gritos e beijos. E que ela permaneça... me contaminando.
Lembro que desde pequena sonhava muito, e alto. Sonhei em voar e inventei um balão feito de cesta de jornal e vários balões de festa de aniversário (aqueles maiores de todos que enchem de doces e estouram no final) enchidos com gás hélio. Na frente do meu prédio tinha essa árvore muito alta, e eu me imaginava voando dentro do meu balão do lado dela, pra ter onde amarrar a cesta, caso fosse ficando muito alto.
Eu nunca coloquei em prática meu projeto de balão, mas acho que desde aí contraí esse vírus da curiosidade. Desde então, sempre quis saber o que estava do outro lado da esquina, atrás da moita, de baixo d'água e por cima das nuvens. E tenho passado toda uma vida, a procurar. Estou sempre atrás de algo novo que me tire de órbita e me leve pra onde for.
Levei isso tão a sério que meus amores são como passarinhos e eu estou sempre segurando uma asa e indo atrás de uma nova viagem, de uma nova vida. Não minto, é difícil ter nascido várias vezes no mesmo corpo, mas por outro lado, tenho um prazer enorme em não ter rumo certo.
Minha casa é o mundo, e nele eu visito todas as esquinas que quiser, e abro buracos no chão se precisar afundar, e crio rampas se precisar olhar estrelas.
Para mim não é suficiente segurar um balão, eu ainda tenho essa paixão infantil pelas coisas, eu quero um balão pra voar. Quero passar por tempestades e testar se um raio pode ou não cair na cabeça duas vezes.
Estou aberta para tudo e por isso minha doença é grave. Mas ainda assim, é só ela que me mantém viva, aos trancos e barrancos, gritos e beijos. E que ela permaneça... me contaminando.
domingo, 4 de dezembro de 2011
she's that kind of girl... the girl that you can`t have.
e você não sabia o porque disso, nem ela. mas ela sentia. sentia que por mais que te amasse agora e chorasse se você falasse em partir, ela uma hora iria embora sem nenhum motivo bom o bastante, inventando desculpas.
algo dentro dela borbulhava. talvez ou sangue, ou algo mais. era o que a impedia de ficar quieta, e ao mesmo tempo era o que a fazia amar tanto.
e ela tinha te amado fazendo essa substância ferver e transbordar por dentro de todo o corpo, conseguindo se apaixonar por você dos fios do cabelo aos dedos do pé. ela vibrava.
com todo esse amor, ninguém diria que ela iria partir. mas ela foi. sem explicação e ainda apaixonada.
ela é maravilhosa, mas não pode ficar. talvez você a considere egoísta, porque seguiu um impulso maior, um impulso corporal dela que falava mais alto que o amor que foi trocado. mas eu não acredito nisso... só acho que ela não pode ser de ninguém, como um gato.
rising
e assim, depois de aparecer em alguns sonhos, mais uma música apareceu e despertou você dentro de mim.
Somos desconexos, ela falou.
Ainda que fiquemos inebriados pelos mesmos sons, nunca viraremos um só e eu não sei viver a dois.
Você chegou pelos cantos e terminou por aparecer no meio quando eu menos esperava. Eu gosto de surpresas, e você soube me mostrar que pode ser doce, ainda que não se saiba o que.
Mas ainda que queira me jogar nesse espaço novo que se abriu, não poderia... pois sei que quando estiver pronta pra cair em nós, você irá voar em busca de algo mais brilhante... mesmo que meus cabelos brilhem como raios de sol. E por mais que durante minha queda e seu voo haja um encontro, este vai ser breve e descompassado.
Você soltará minha mão não por não querer segurá-la, mas por falta de encaixe.
domingo, 6 de novembro de 2011
Mergulhei.
Pra variar, não soube ficar no raso. Tive que ir até o fundo, molhar os cabelos e a alma, pra ver se achava algum sentido para aquilo.
A vida me passa de uma forma estranha, e me pego o dia inteiro inventando teorias e desculpas pra tentar viver.
Lógico que não te contaria isso, já basta eu ter entrado na piscina... e pode ser fácil pra você me ver como qualquer outra. Mas eu faço um esforço enorme pra fazer isso e você não achar que eu to pirando, pensando logo de cara em falar que a gente tem que passar uns dias juntos, só nós dois.
O pior dia foi hoje. Na realidade, odeio essa coisa de internet. Odeio saber que você está "lá", mas que não vem falar em fugir comigo, ou ir no cinema, ir pra qualquer lugar.
Eu sei que você gostou de ontem, assim como não é complicado gostar de estar comigo. Mas nunca, nunca entendo a fuga...
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
VEM!
Tenho certeza que você tem medo de mim. Sou muito arriscada e escorregadia feito bola de sabão.
Não sou previsível como as meninas que você costuma namorar... todas fofas e muito amorosas. Eu estou sempre precisando de mais, e isso te assusta, porque diferente das outras, não é algo que se compra. Preciso do que se cria.
Preciso te sentir perdendo as estribeiras e a lógica, e indo comigo, tomar banho no Lago Paranoá às 4:00 horas da manhã, mesmo com o frio.
Acho que ninguém sabe dessa sua curiosidade por mim, mas eu sei que você queria poder me ver, acordando descabelada num domingo, de samba canção. Você me fantasia, porque no fundo, sou aquilo que te privaram de ser. Sou a doida que fala palavrão em casamento e fica bêbada de champagne barato.
Se não fosse seu receio, a gente iria longe... e você seria apaixonado, eternamente. O amor é consistente, e é bom também... mas comigo você sentiria algo mais, e ficaria alucinado.
Você quer ser livre, e eu também. Mas não há nada mais livre do que namorar em baixo da chuva. E abrir uma cerveja debaixo do edredom.
Não há amor maior, que aquele que te deixa ir... viajar pelo mundo buscando o que não tem nome.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
para sempre nossa árvore
Passos rápidos,
que eu nem sentia
Estava preocupada
com o vento,
que eu nem sentia
Estava preocupada
com o vento,
que brincava com meus cabelos
daquele lugar alto.
Me sentia a melhor
chegando em cima daqueles ombros
E sabendo que no almoço
tinha dose de suco de açúcar com laranja.
Você era mais
do que na época eu podia criar
E me contava histórias de gigantes de areia
com dentes de conchas
Na verdade,
você que era o gigante
E colecionava todos meus dentinhos de leite,
fortificados com toddynho.
E a gente ria...
ria vendo o Chapolin com sua astúcia
e descobrindo pedras de ouro pela rua.
E descobríamos o mundo inteiro
da quadra em cima das bicicletas.
Foi ali, naquela Combi vermelha
que eu aprendi a surfar.
Todo dia depois da escola ia deslizando
e inventando manobra...
e você me achando maluquinha.
Até que um dia seus passos diminuíram...
mas eu me arrastei pra te acompanhar.
E ainda depois de 20 anos quis ouvir de novo
a história do telegrama,
e qualquer outra história com sua voz.
Sabe, sei pouco demais dessa vida,
muito menos o porque dela levar quem a gente ama,
e nos acender a memória que não volta.
Se um dia você ler isso...
Lembra da árvore...aquela em que pegávamos cola.
Me cole no coração com aquela cola que a gente fazia. Me cole lá e não deixe que eu desgrude, ainda que quem eu sou se vá, lembra daquela nossa árvore, que guarda muito mais que nós.
o melhor dos meu erros
Eu fiz de tudo para estar com você. Durante cada pedacinho das minhas noites.
Não sou aquela que é sua por todos os dias e sabe-se lá até quando, mas estou aqui... estupidamente te querendo de novo. Louca pra te agarrar apertado, depois virar a esquina e andar pra outro lado, longe do seu.
Fui me encurralando na parede, sem saídas fui te amando, mesmo na hora em que menos acreditava nessas coisas de amor.
Mas era bom, era BOM, ver você chegar tarde pra me ver. E ir me roubar pra uma cerveja num posto qualquer e ter medo de começar a me beijar e não parar mais.
Hoje te liguei, não resisti. Queria ver se na sua voz ainda tinha um pouco de você. É, porque você é diferente quando não é meu. Quando não está no nosso embalo louco, sem ritmo, sem nome, sem palavras.
Também não sei se confiei no telefone... eu mesma já tentei aumentar a distância milhares de vezes encurtando a conversa no telefone. A gente é daquele jeito que só sabe o que vai dar quando estamos perto.
Aí é que a temperatura aumenta, e mesmo que seja tudo errado, a gente não lembra, a gente se abraça e parece que não tem mais mundo, que não existe muro, e tudo é baixo pra gente pegar.
De um jeito estranho, dá pra pegar o céu com você. Aliás, acho até que você é um pedaço dele, e deve ser por isso que me invade e ilumina tão fácil.
De um jeito estranho, dá pra pegar o céu com você. Aliás, acho até que você é um pedaço dele, e deve ser por isso que me invade e ilumina tão fácil.
Não sou aquela que é sua por todos os dias e sabe-se lá até quando, mas estou aqui... estupidamente te querendo de novo. Louca pra te agarrar apertado, depois virar a esquina e andar pra outro lado, longe do seu.
E se alguém me perguntar de nós, o que posso dizer? Somos inefáveis.
Há, uma complexidade transcendental, inebriante, subcutânea, extra-corpórea.
Eu ainda sinto tudo isso quando lembro de você, que veio e foi, tão fugaz. Não vou mentir dizendo que não quero de volta aquele frisson que me arrepiava os pelos e me enchia de adrenalina, mas caso os tempos, e os ventos tenham te feito esquecer, ao menos tenta lembrar de quando eu aparecia, deixando tudo claro. E de algumas chuvas que molharam nossos cabelos e meus olhos.
Que nosso encontro, ainda seja mais forte que qualquer palavra, ou falta dela. Mais forte que qualquer outra história sua ou minha... que sejamos sempre algo a parte.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
terça-feira, 27 de setembro de 2011
sonhei que
voava entre nuvens prateadas...
numa velocidade tão alta que tudo ao redor virava borrão colorido.
sempre soube que moraria no céu falando inglês com quem passasse, e cantando bossa nova pra chorar a solidão.
e iria me aninhar na via-láctea na hora de dormir pra sonhar com o espaço e com quem ainda há de chegar.
despertar
deixei os cabelos no chão
e respirei profundamente
fui inventando música dentro de mim
e já estava a dançar
quando fui pra baixo do chuveiro
(gotas)
de água fria pra acordar pro dia
ele é lindo com o mar no fundo
e tão comprido quanto o oceano
e tão finito quanto a vida
é hora!
segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Hoje passei o dia com vontade de chorar, até que não houvesse mais água dentro de mim. Chorar pelo que fui, aquela menina de cabelos loiros que sonhava com um amor pra vida, com um apartamento em outra cidade, com a família reunida.
Quis chorar por quem eu era até algo se desfazer. Os fios da esperança se descosturaram, até que fiquei tão descrente de mim e do mundo a ponto de abrir mão da vida. Não me permiti morrer por inteiro, mas fui me matando aos poucos, mudando cada traço meu que via como fraqueza, ficando tão impenetrável e tão intragável como o pior dos cigarros.
Me vendi ao mundo por um preço muito baixo e passei a acreditar que aquele era meu valor, de forma que qualquer coisa passou a ser demais para mim e eu fui me vendo cada vez menor.
Hoje, mais do que nunca, queria voltar atrás, pra cuidar daquela menina melhor, pra não deixar que ela deixasse de sonhar, pra abraçá-la e dizer que tudo ficará bem. Mas não posso, e não sei que parte dela restou em mim que restaure o que perdi.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
esses últimos dias...
antes de ontem eu fui a praia
so que o ceu tava muito nublado
mas eu gosto quando o dia ta cinza e resolvi que era uma boa aproveitar a praia vazia sem sol
ai eu cheguei la e fiz um pic nic, sozinha mesmo... eu tinha levado uma cesta com varios cup cakes e sucos e queijo quente
ai eu tava sentada na areia, que tava mais branca q o normal
provavelmente pq o dia tava nublado e as cores ja nao eram as mesmas
ai quando eu vi, primeiro vem um pingp
depois outro, e mais outro e outro
e como eu vi que ia chover, irremediavelmente, eu resolvi me juntar a agua e fui pro mar
as ondas estavam enormes
mas eu consegui de algum jeito passar rapido por elas e chegar depois da arrebentacao
e la eu mergulhava e meu olho nao ardia, podia ficar com ele aberto
e eu vi variossss peixinhos coloridos
e coloquei uma estrela do mar no meu cabelo... ela ficava dancando na minha cabeca e fazia cosquinha, mas era muito bom
depois, nao sei como, o mar comecou a evaporar super rapido, e quando eu fui ver
so tinha areia por todos os lados e eu estava completamente sozinha
ai eu comecei a chorar muito
a chorar tanto que o mar voltou
ai eu fui saindo daquele mar devagarzinho
e deixando minhas lagrimas pra tras
minha cesta de pic nic tinha voado, mas eu nao precisava mais dela, nem de nada
comecei a correr pela areia da praia, num caminho completamente novo dos que eu conhecia
e quanto mais eu corria, mais eu sentia que meus pes iam saindo do chao e que eu ia saindo da terra
ate que quando eu fui ver, eu ja estava voando
muito alto, junto aquele ceu cinza que eu tanto gosto
voei durante dias
ate que adormeci no ceu
e acordei no espaco
perto de mercurio
e eu olhava aquilo tudo e achava lindo
e descobri que o espaco eh dourado
pq tem muitas estrelas q ficam iluminando
ai vi q era hora de voltar
e fui voltando bem devagarzinho
me despedindo
ate que cheguei no chao
que era o ponto mais alto da montanha mais alta
e comecei a rir
achando tudo muito absurdo e harmonico
e finalmente me sentindo em casa
domingo, 14 de agosto de 2011
das voltas que a vida dá,
sempre se acaba achando alguém.
e não tem ponto certo ou esquinas
tem sempre alguém vindo em contra mão
de uma virada
pra dar de cara com você.
o negócio é deixar passar ou não.
seguir o caminho em busca do novo,
ou se contentar aconchegante esperando
qualquer coisa que pare pra só olhar o mundo
com você.
desaprendi a esperar e caminhar junto,
entrei numa -quase-paranóia de sair
passeando por aí sem encontros,
telefones ou pontos fixos.
I kinda hate you,
'cause I can't even stop thinking about you.
acho que já to há tanto tempo sem escrever linha qualquer, que agora já nem sei mais o que dizer. mentira. sei o que dizer... mas é daquelas coisas que já disse por aqui e pra mim mesma num silêncio-pseudo-profundo tantas vezes, que vira uma repetição sem fim.
enfim, vou acabar repetindo a mesma estorinha de sempre... àquela na qual eu vivo presa, feito pássaro na jaula, desde que te conheci.
não lembro bem se fazia calor na época. devia fazer... pelo menos dentro do carro era quente. tampouco lembro de como estava vestida para a ocasião, só sei de seus comentários sobre meu cabelo...
naquela época você me achava meio brilhante. sei lá como, era coisa sua.
lembro me sentir muito segura com minha dor naqueles tempos, tão segura que era capaz (e acho que até o fiz) de jurar que por você não derramaria uma lágrima.
mas aí começaram as madrugadas, os pedaços de noites estreladas, os lugares mais surreais e todos ali, com você.
você descobriu meu ponto fraco, as surpresas.
e quando parei pra olhar, eu já estava voando aaaaaalto, perto da lua, num espaço sideral vendo planetas e não tinha volta.
morri de medo de ver que não tinha volta e comecei a arquitetar vários planos de voltar pro chão. todos em vão. cada vez que voltava, você me dava a ponta dos dedos longos e eu ia pra qualquer lugar que fosse...
procurar buracos escondidos na via-láctea.
até que o dia chegou. o dia que você foi viajar sem mim. e eu comecei a achar buracos de dentro, espaços vazios...
meu coração que antes estava sempre engarrafado e cheio de você, estava sozinho agora.
como se as ruas sempre estivessem vazias, como se ali, nunca tivesse havido carnaval.
mas claro, a besteira foi minha em acreditar que poderia haver festa o ano inteiro, e que em qualquer dia comum você pudesse voltar a aparecer, ou a sentir qualquer coisa...
a besteira é minha, de ainda esperar que um dia o universo gire, tudo acorde de ponta cabeça e você esteja ali, acordando com o cabelo bagunçado e vendo desenho animado comigo de manhã. como já tive o gostinho, tão rápido de experimentar.
e depois me puxando pela mão pra me mostrar algo a mais... sempre surpreendente.
sempre novo. sendo dia, ou sendo noite.
(a música que acompanha o texto)
quinta-feira, 14 de julho de 2011
outra vez
outra vez eu estava lá.
apesar de já ter jurado mais de trinta vezes que não voltaria, você me chamou, eu fui.
simples assim... complicado assim... do mesmo jeito de sempre.
você com aquela meia-barba-mexicana que eu adoro e que me arranha de um jeito tão bom.
aai, que saudade dá.
e deu, e eu fui, atrás de olhar você mais uma vez.
torcendo pra não querer te olhar nunca mais.
e a gente vai embora, cada um pro seu lado.
seu lado da rua, seu canto do mapa.
queria me perder por aí com você, em alguma interseção no meio do brasil e longe de tudo que nos afasta.
mas isso não está nas cartas, nosso destino é esse... interminável e inalcansável sempre.
nos encontrando e vivendo o nós.
e indo embora, até outro encontro, outra vez.
apesar de já ter jurado mais de trinta vezes que não voltaria, você me chamou, eu fui.
simples assim... complicado assim... do mesmo jeito de sempre.
você com aquela meia-barba-mexicana que eu adoro e que me arranha de um jeito tão bom.
aai, que saudade dá.
e deu, e eu fui, atrás de olhar você mais uma vez.
torcendo pra não querer te olhar nunca mais.
e a gente vai embora, cada um pro seu lado.
seu lado da rua, seu canto do mapa.
queria me perder por aí com você, em alguma interseção no meio do brasil e longe de tudo que nos afasta.
mas isso não está nas cartas, nosso destino é esse... interminável e inalcansável sempre.
nos encontrando e vivendo o nós.
e indo embora, até outro encontro, outra vez.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
...
segunda-feira, 2 de maio de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
foi assim que você foi indo embora
às pressas,
com medo de ficar e ter que me dar um beijo.
de despedida,
de nunca mais.
um beijo de começo de noite.
tão estranho pra nós que sempre roubamos
as noites...
tão estranho pra nós você indo embora
quando a noite só estava começando.
mas foi...
e acabou assim,
com uma despedida no portão,
que prometia ser até logo
e se tornou adeus.
e que deixemos agora o nós
ao deus dará
e aos sonhos que possam invadir
a gente qualquer noite dessas,
pra nos lembrar do cheiro da coisa,
pra nos acordar cheios de saudade.
não sei o que cabe dentro de uma gota d'água,
nem sei o que faltou dentro de nós.
não sei se transbordamos tudo e fomos além do que era permitido,
tão além, que nos perdemos no espaço,
em rotações impossíveis de se tocar.
somos daquelas estrelas que se encontram uma vez na vida e fim,
se perdem pra iluminar outros espaços.
ou só se perdem.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
with or without you
não sei porque decidi dedicar esse dia à você hoje...
talvez pela noite em claro que passei. em que achei que sabia de tudo, como sempre acho, e aonde depois vi que me faltava algo.
tudo estava complicadíssimo pela manhã, e era nessas horas que você me acordaria com café da manhã na cama e tocando alguma música pra me acalmar.
e era nessa hora que eu ia segurar sua mão e ia até a varanda fumar um cigarro no seu colo.
aonde eu me perdi?
é, tem esse meu segredo, que eu raramente me permito lembrar.
só que é uma coisa que às vezes dá uma saudade... como hoje.
e fico ouvindo baixinho, pra que o segredo continue só meu, já que ninguém nunca entenderia.
já que ninguém nunca me entendeu como ele.
e eu que resisti tanto em fechar os olhos e entender, agora compreendo tudo.
nada volta a ser como era nessa vida, mas ah, como é bom ouvir esse som que era tocado só pra mim, deitado em meu colo.
ah, como era bom embalar aquilo que eu resistia em não entender.
ah, esses amores comidos tão depressa pelo tempo... ah, essa vida tão única de cada dia...
ah, essa saudade....
domingo, 3 de abril de 2011
sunday night
i don't care anymore if it's cold or warm,
i'm tired of expecting things to change for me,
so i try to change them by myself
do you wanna go with me?
leave all this behind...
start everything from nowhere...
i just wanna be nowhere, with no judgements,
with no crimes...
i need to be strong every sunday night,
but there's not easy as it seems
sunday night lasts longer than 24 hours.
i try to pass they sleeping most of the time,
but when i wake, it's sunday yet...
so empty.
i can handle the empty, but i need something
to feel good with it.
i guess i need someone to share this empty with me.
and draw... draw on my walls a world which fits me.
sigo nessa rua
e vários carros vão passando ao redor
e vários param pra me ver
mas nenhum abre a janela
e eu continuo caminhando.
é uma estrada louca
e já não sei mais se estou indo
ou se estou voltando
já nem sei mais como ou porque fui parar lá
quando saí tinha um mapa
e umas cartas no bolso
agora não sei onde nada foi parar
ou escondi de mim mesma,
como sempre faço,
só pra complicar tudo.
só pra andar mais...
queria parar de andar e procurar tanto,
mas as janelas estão sempre fechadas por onde passo...
o máximo que consigo é fazer alguém rir
de dentro do carro, quando para pra me ver passar.
quarta-feira, 30 de março de 2011
quinta-feira, 24 de março de 2011
tenho que cair na estrada. ir pra algum lugar aonde ninguém me conheça... passar uns dias sozinha, ou sozinha com pessoas novas. sinto falta do calor, de estar sempre fervendo e esperando explodir. ficou tudo tão banal, uma rotina tão tranquila que não estou mais aguentando. o equilíbrio é tão chato. é como se conformar com tudo e se sentir normal com isso. tudo está onde deveria estar, tudo se encaixa perfeitamente. não, eu não consigo. preciso de emoções mais fortes, cortes, gritos... preciso de algo que me instigue a toda hora, nem que instigue só minha impaciência. não faz sentido algum ficar aqui, chegando nos mesmos lugares. preciso de um up!
tenho uma fome incontrolável.
quarta-feira, 23 de março de 2011
Valentina de Botas
senti que deveria ser ousado, mas delicadamente sensível.
como lágrimas marcadas por rímel escorrido.
mas sem se vitimizar demais e chorar demais, deveria também ter aquele ar de mulher que sobe no salto e a partir daí ninguém segura.
alguma mistura punk dos subterrâneos às 4 da madrugada regados de uísque com um toque de café às 4 da tarde.
deveria ser doce e inebriante como um perfume e efervescente, pronto para disparar pro infinito e gritar na noite.
muito calor...
aquela coisa quente que corre por dentro, não pede licença e sai em busca de qualquer aventura, qualquer passatempo, mas que vê com olhos nostálgicos de quem está no passado.
meio dança, meio inferno astral, meio psicologia barata e bitucas de cigarro.
e muita beleza nisso tudo, uma beleza desconexa.
terça-feira, 22 de março de 2011
E: -ahhh, se você não contar, ninguém precisa saber.
V: -mas cade a graça nisso?
E: -é a de guardar um segredo.
E: -ó, agora vou começar a falar baixinho, depois só vou ficar te olhando e aí não se diz mais nenhuma palavra.
V: -mas como eu vou entender pra continuar?
E: -você não entende, você sente.
V: -masss....
E: -shhh.
quase isso
fiquei lá... te esperando na porta, só de calcinha. como já fiz com tantos outros, como sei que ainda farei. mas isso não muda nada, porque ali, naquela tarde, eu estava lá só por você.
esperava enquanto fumava um cigarro, como se ele pudesse me trazer calma.
você, você era a única coisa que poderia me trazer calma. mas não, você foi embora sem despedidas, saiu correndo quase despido, quase culpado por ir me deixando lá.
quase. essa era nosso problema... você quase se apaixonou quando me viu prendendo o cabelo propositalmente bagunçado naquela viagem, e quase se deixou ir nadar pelado comigo no rio à luz da noite escura.
você quase quis voltar atrás pra pelo menos olhar minhas pernas mais uma vez, e me ouvir gritando sobre nós como uma louca no hall do elevador.
mas como a vida, seu tempo era curto demais para mim, você me amou como se fosse máquina e como se o despertador já estivesse tocando alto.
engraçado é que mesmo sabendo que você já ia correndo de novo, pra não voltar mais, eu esqueci do tempo e fiquei lá parada. sei lá por quantas horas, ou dias.
acho que parte dessa espera foi só pra não me igualar a você. poder mostrar pra mim, que eu posso parar, fechar os olhos e escutar. coisa que você não pode.
não quer ou não quis...
mas sei lá, agora também já andei pela casa... e dei uma volta no espaço sem te procurar nele.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
é como eu sempre escutei a vida falar: "as coisas vem quando menos se espera"
e ontem olhando as ondas do mar quebrarem na praia, as crianças correrem na areia e os casais que esperavam pelo final da tarde, percebi, algo que já tinha percebido faz tempo, mas que sempre esqueço de me lembrar, a vida tem seu fluxo próprio e o tempo não é mais que uma invenção.
tenho que me colocar no meu lugar. é lindo de ver... as coisas acontecendo, cada uma no seu ritmo, com seu som. é lindo de ver... que nada depende de mim.
e que por isso posso ficar ali, só olhando e me surpreendendo.
nada é pra já.
e o meu tempo sou eu que crio.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
sábado, 15 de janeiro de 2011
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
um relicário
sabe aquele presente que eu disse que ia te dar naquele seu aniversário que passou?
era um baú. um baú com tudo que me lembra você, cheio das nossas noites, dos nossos dias, cheio de tudo que foi. de tudo que não é.
foi bom não te dar nada, pois agora só seria um baú vazio. cheio de coisas que nunca existiram.
só caberia a mim neste baú, essas lembranças também só cabem em mim. também vazia.
um relicário de nada.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
eu quero algo novo,
que vá assim,
me arrepiando os pêlos da nuca.
e chegue de repente,
como uma estação.
seria fácil se eu soubesse o que procurar...
subiria em um trem,
e pronto,
descia no lugar certo,
que iria me surpreender.
minha vida foi se costurando
como uma colcha de retalhos
cheia de atalhos
do presente ao passado.
mas quero mais que isso,
sentir aquele coração encharcado
e um corpo acelerado
que segue sem ver...
vai só sentindo a vibração.
sinto falta dessa obrigação
de não dar satisfação à nada que não seja meu instinto.
a lonely goodbye...
e foi assim, que eu, sentada na varanda fumando um cigarro e ouvindo o barulho dos fogos, me despedi de 2010.
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