segunda-feira, 12 de maio de 2008

olhos de tempo

Olhos de tempo
De um tempo que nem existiam meus olhos
Olhos de segunda-feira,bem de manhãzinha
Histórias vistas e histórias vividas
E vida guardada no olho
Janela quebrada da alma
Cheia das coisas em casa
Na cama vendo telenovela em noite de sexta-feira
Vigia criança,banha o cachorro
Rugas,ruas,linhas apagadas
Guardadas dentro de casa
A casa que acolhe,a casa que lava
Passa lápis em contorno dos olhos e marca o olhar
E pisca o dia inteiro pro lápis esfumaçar
Percebe,e sente o cheiro e brilha
Que por trás das lentes que a cobrem
Você vê nitidamente que ela é sempre assim,
De dentro pra fora,
Do final pro meio
Sempre é o mesmo pontinho com coordenada marcada
E já tanta coisa se ocorreu
E de tamanduá bandeira já correu
Que podem dizer os verdes olhos cansados
Essa viveu,ralou o joelho,ama e é aprendiz
Diz todo dia:”nessa quinta eu opero os olhos”.

(velha)

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