domingo, 2 de setembro de 2012

Quando eu comecei a chorar demais

Não sei o que houve nessa manhã, que começou tão normal como outras. Não sei o que me fizeram as coisas que li, aqui, em pé no trabalho. Acho que é essa coisa de identificação que mata a gente... Eu tenho isso e cada vez que me identifico com alguma coisa parece que estou morrendo um pouquinho. Começo a sofrer as alegrias, tristezas, tudo, tudo o que a pessoa ou coisa ou animal com a qual me identifico sofre.
É muito louco, já que boa parte do meu tempo eu passo racionalizando tudo, criando mil teorias que me dêem alguma segurança, alguma fé em qualquer coisa que seja. E do nada, eu sinto as coisas mais intensas dos lugares menos prováveis. Eu olho a rua da frente, não tem nada, os carros passando, as pessoas indo comprar pão, fazer pé-e-mão, nada demais... Depois, alguma coisa dá um PLIM, eu olho a rua e ela já parece cheia de coisas, são as mesmas, nada mudou, mas ela parece cheia. O mundo parece tão delicado e eu choro por ele. E choro pelas pessoas e pelo Sol, mesmo sem saber se deveria chorar por coisas assim. Eu vou e choro muito por histórias que não são minhas, por vidas que não vivi ou vi.
Eu poderia chamar esse desabafo de "Quando o coração aperta III", já que de uns tempos pra cá ele não aliviou um segundo, mas mudei o título porque comecei a escrever entre o choro.
Eu desde que menstruei pela primeira vez, comecei a chorar demais. Quando criança era dura na queda, chorava por nada. Ria que só da minha vó, minha tia e minha mãe que qualquer comercial de margarina estavam emocionadíssimas com as lágrimas escorrendo. Mas foi isso, veio a menstruação e acho que toda essa coisa hormonal maluca de ciclos me deixou igual à elas - uma manteiga derretida -.
Mas não veio só o choro, acabei ficando realmente emocionada. Acho que o choro, inclusive, é mais consequencia da emoção. Das coisas tão bonitas, ou tão tristes que não consigo entender. Fico achando o mundo muito louco, sempre. Não consigo acompanhar, e talvez por isso eu crie tantas teorias e perguntas, tenho medo de ficar maluca sentindo tanta coisa e entendendo tão pouco o porque de tanto sentimento. Aí penso, penso e penso pra ver se chego em alguma verdade que me segure no chão. Mas não segura, que hora ou outra a chaleira aqui de dentro ferve e a emoção escapa da caixinha da teoria. Pronto, me descontrolo e fico só emoção.
O estranho é ela ter vindo à tona hoje. Já estava sentindo esquentar há uns dias, mas achei que ainda esquentaria muito mais e a emoção viria em uma hora mais significativa, não em uma manhã qualquer, no trabalho.
Enfim, nem sei direito o que escrevi... Faz tempo que não escrevo sem pensar e vou só digitando. Mas tudo bem, que isso não é um texto. É um desabafo. Se eu tirasse fotos, viria como fotos desfocadas e sem sentido. Se eu tocasse, seriam notas sem ritmo e frases soltas, desamarradas de canção. Isso é só pra controlar um pouco o choro.

Um comentário:

Marcela Picanço disse...

é exatamente o que eu sinto. Considerei como um quando o coração aperta 3, porque o meu apertou muito e eu choro em quase todas as manhãs, coisa que eu raramente vazia. É mais fácil chorar à noite. A manhã carrega em si uma energia de esperança. Quando a chaleira esquenta e transborda pela manhã é sinal de que algo tem que mudar.