segunda-feira, 12 de maio de 2008

árvore

Salve a árvore que existe em você
Não pode suas raízes,
Deixe a seiva correr solta
Sinta sobre as folhas,vento.
E sob a sombra,sento.
Confundo-me galho e viro,
Casa de passarinho.
Floresço,
Cresço,
Dou frutos,
Frutas,
Amadureço.
Esqueço pessoa que sou,
E tão convincente que de árvore fico,
Partem-me.
Tronco parte,
Parte coração,
Parte da folha parte.
Morro.

(velha)

domingo, 27 de abril de 2008

você,mãe

acho tão lindo quando lembro
que você,mesmo sendo tão sua,
se dividiu um pouquinho pra que eu fosse eu.
repartiu sua alma em mil pedacinhos e me deu.
confiou-a à mim numa ligação eterna,
que mesmo quando longe,
ainda te sinto perto.
aqueles quase nove meses nos fizeram tão confidentes
de uma intimidade,amizade tão grande,
que às vezes me esqueço que literalmente,
não estou mais por dentro de você.
você encheu aquela ligação umbilical de coisas lindas suas,
que agora são coisas lindas minhas também.
se continuou em mim,e eu me procuro em você.
e me acho,
naquele espaço em que criamos quando só havia nós.
naquele lugar em que somos nossos próprios espelhos,
e através dele construimos nossa igualdade.
naquele espaço em que guardamos os risos,
os choros,os olhos...
todo o compartilhado.
naquele espaço que dilatamos pra caber eu e você,
cada vez maiores.
crescendo de amor a cada dia.

o meu eu,
é tão colado ao seu,
que a gente se mistura.

terça-feira, 25 de março de 2008

subida

hoje estou meio assim,out of control.
foi simples descobrir isso. simples descobrir,aceitar não. aceitar é complicado até agora. o que se passou foi,eu cheguei lá.
e fiquei esperando tanto pra chegar lá(neste lugar que cheguei),fiquei pensando tanto,planejando tanto no que fazer quando chegasse,que agora que cheguei estou perdida.
não sei qual é o próximo passo. aliás,sei. sei e não gosto nada do próximo passo. não gosto,não por ele já ser mais um degrau na subida que é o desenrolar da situação,e assim sendo,por me deixar ansiosa pelo próxima passo que darei. não gosto dele,simplesmente por ser como o começo.
o começo é aquele em que eu me encontrava ainda no chão. esperando no chão. aí eu fui,me juntei de toda a cara de pau e coragem,que meu pai me disse tantas vezes que eu tenho(mesmo que eu só tenha isso na cabeça dele) e subi um degrau. o primeiro.
na minha cabeça,o mundo já virou de cabeça pra baixo,por eu ter subido esse primeiro degrau. assim,gosto da modernidade,mas eu tenho de confessar que tenho um pézinho no tradicionalismo. esse meu pézinho me deixa sempre um passo atrás das atitudes que eu gostaria de tomar. quando esse meu pé ficou sabendo da história de eu ter subido o primeiro degrau... não deu certo. ele queria que eu descesse tudo de volta e saísse correndo daquela escada. mas aí,tivemos uma conversa e ele entendeu que em tal situação,não se pode voltar atrás.
mas voltando a contar do degrau em que estou,o problema deste degrau,deste degrau em que foi tão difícil subir,é que ele me deixa no mesmo estado em que eu estava antes de subir nele. ele me deixa num patamar mais elevado,mas não deixa de me deixar esperando. e se tem uma coisa que eu odeio,é esperar.
o que acontece é: houve uma ação,minha,e agora falta a reação,penso eu,acreditando cegamente na 3ª lei de newton,que uma hora ela há de chegar.
enquanto ela não chega,eu tenho de ficar nessa inércia. não posso mais dar o próximo passo,antes de 'plantar o que colhi'. mas não,não quero pensar na minha inércia de agora.
o ponto alto de hoje,o que fez toda a audiência do meu dia subir,foi àquela hora... em que eu me despi de todos os meus conceitos pré estabelecidos,em que eu botei minha cara a tapa,evidenciei toda e cada palavra que eu disse pra dizer tudo de supetão,sem ter esquinas pra onde correr e socorrer-me,sem ir em contra-mão,sem ter como voltar atrás.
hoje posso ficar orgulhosa porque não me controlei,e disse:
- eu amo você.

domingo, 9 de março de 2008

by my side

Hey dad, you know...

I just called to say hello


Here the summer is harder than ever

I go to school thinking only

In the time to get back

I pass the days thinking only

About what I had


By your side


I don’t know what’s happening between us

I’m a bit confused, just like when I take a bus


Send kisses for my brothers

I really miss them

I wish that I could see all of you everyday


Sometimes when I’m sick

Something happens to me

I start crying because of you,

Because of the moments we had together on my childhood


I can’t explain what is it for you

But I guess, one day, you should call me too

To tell me that if it were necessary

You would turn the world upside down

Just to be here again

By my side

segunda-feira, 3 de março de 2008

quero

quero,
enrolar a língua buscando algo que nunca busquei.
afundar navios não parece ser tão mal...
ir ao centro e ver que o e.t. sou eu,
nada mais que eu.
achar alguém que ache o céu em mim,
buscando aonde ainda não encontrei
aquele planeta que me explique o que não entendi.
vou voar num tapete que vai acalmar minha adrenalina
e transformá-la em paz.
entrei de olhos vendados em um quarto desconhecido,
só sabia da porta.
o que vai me acontecendo agora,não sei dizer,
estou esperando ouvir qualquer coisa
pra começar a situar-me.
ainda é um lugar estranho.
como aquela sensação que me arrepia os pêlos,
me faz chorar...
aquela coisa que me dá às vezes com coisas que eu não conheço
mas meu corpo reconhece.
a química do beijo,deve vir disso.
a gente ainda nem gosta daquilo,mas o corpo já gostava a tempo...
como um pedaço perdido,se acha,
e quando acha,floresce em sentimento.
em sentidos.
todos se afloram e a gente gosta.
pode até reformular os pensamentos da cabeça
mas sempre que em contato com sua parte perdida,
o corpo volta a desobedecer e a gostar.
e a gozar daquilo.
quero aprender francês,
tornar meu ócio em produtivo.
vou recomeçar do cem,e ir (des)evoluindo
voltar ao zero e ir crescendo.
quem sabe assim,depois (de)correr a vida em círculos
eu nasça em mim mais uma vez,e (re)conheça-me ao todo,
com a mesma certeza que tenho,ao contar meus dedos dos pés.