sábado, 21 de março de 2009

as cenas que não são,ou não podem ser

se misturam beijos com fugas,
e horas no ônibus a pensar,
naquela música que não sai mais da cabeça.
o encontro é certo,
na imaginação.
se confundem sonhos com cenas de cinema,
vontades com dúvidas.
e dividas.
e divisões.
cada um para seu lado,
e as flores que não foram
a marcar o caminho,
a guardar o caminho.

só há caminho lá fora.
não caminho.

segunda-feira, 2 de março de 2009

talvez eu devesse tomar mais café...
quem sabe assim meu coração passaria o dia acelerado
e esqueceria do que se foi.
não tenho capacidade pra me adaptar e não nego.
de tempos que tento fingir que estar aqui é o que quero,
e falho.
nada é imune às mudanças do tempo,
dos ventos.
pude sentir isso,minuciosamente.
algumas coisas que se foram acabaram voltando melhores,
mas não fui eu quem determinei.
não posso controlar o que depende de mim,
que dirá o que não depende.
e os caminhos vão se traçando
sem que eu veja esse caminhar.
fico de longe espiando as coisas das quais já fiz parte.
das vidas que já colaram tanto,que se confundiram.
hoje as coisas se dispersaram,
nada mais é o que era.
tudo aquilo se foi e é preciso aceitar.






saudades das minhas sandálias,e dos passos que elas deixaram pra trás

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

chuva que trás

acordou com pingos,
no meio da noite.
e na manhã que se fez
desceu a chuva.
deixando a cidade acordar atrasada
com o escurinho.
assim neste dia não houve sol sobre o mar,
nem gelos para água.
por trás dos óculos de sol
tudo parecia muito cinematográfico.
o céu era cinza claro;
os pensamentos também estavam claros.
a música embalava o tráfego
e o sinal era sempre verde.
o trânsito fluía.
com vento balançando as saias,
meninas voavam,
quando só estavam indo.
os beijos que foram mandados
beijavam outros destinatários.
os guarda-chuvas protegiam
as crianças que iam à escola,
e que pela chuva forte voltaram.
a chuva contagiou muitos,
estes preferiram ficar de cama
e ver o tempo,tão lento,
passar pelas janelas.
a chuva dançava nas pétalas das flores
(dos brotos das flores),
e depois escorria,molhando sua casa:
a terra.
a noite foi chegando,
junto aos arrepios dentro dos agasalhos.
e em um céu sem lua,
dormiram todos mais cedo
como se não houvesse tempo.

anunciaram no jornal do outro dia:
-fez-se primavera.
então era isso:
um bar
um sem-fim de risos.
e ele lá...
um brinde após o outro.
não era ninguém ali.
se não fosse comprometido
andaria só
e seria só livros.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

não posso sair com chuva.
molharia meus cabelos,
tão secos.
seguiria com água nos sapatos
e ao me deitar na cama
enxarcaria o travesseiro.
não posso amar correndo
perderia os detalhes
e até aquele beijo de fim de tarde.
e quando o sol cobrir a chuva,
posso ir
me pôr ao seu lado,
quente
pra que da chuva você me esquente
e eu possa dormir.