segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

doença

Será que isso passa? Ou é uma doença que contraí na infância e vem me acompanhando até hoje?

Lembro que desde pequena sonhava muito, e alto. Sonhei em voar e inventei um balão feito de cesta de jornal e vários balões de festa de aniversário (aqueles maiores de todos que enchem de doces e estouram no final) enchidos com gás hélio. Na frente do meu prédio tinha essa árvore muito alta, e eu me imaginava voando dentro do meu balão do lado dela, pra ter onde amarrar a cesta, caso fosse ficando muito alto.
Eu nunca coloquei em prática meu projeto de balão, mas acho que desde aí contraí esse vírus da curiosidade. Desde então, sempre quis saber o que estava do outro lado da esquina, atrás da moita, de baixo d'água e por cima das nuvens. E tenho passado toda uma vida, a procurar. Estou sempre atrás de algo novo que me tire de órbita e me leve pra onde for.
Levei isso tão a sério que meus amores são como passarinhos e eu estou sempre segurando uma asa e indo atrás de uma nova viagem, de uma nova vida. Não minto, é difícil ter nascido várias vezes no mesmo corpo, mas por outro lado, tenho um prazer enorme em não ter rumo certo.
Minha casa é o mundo, e nele eu visito todas as esquinas que quiser, e abro buracos no chão se precisar afundar, e crio rampas se precisar olhar estrelas.
Para mim não é suficiente segurar um balão, eu ainda tenho essa paixão infantil pelas coisas, eu quero um balão pra voar. Quero passar por tempestades e testar se um raio pode ou não cair na cabeça duas vezes.
Estou aberta para tudo e por isso minha doença é grave. Mas ainda assim, é só ela que me mantém viva, aos trancos e barrancos, gritos e beijos. E que ela permaneça... me contaminando.

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